domingo, 7 de junho de 2015
As plantas mais venenosas que existem
A ingestão ou contato com algumas plantas pode causar sintomas de intoxicação. Existem plantas medicinais que são tóxicas se ingeridas em excesso como a erva-de-santa-maria. É importante dizer que um fator que determina o quão venenosa é uma espécie vegetal é a composição do solo onde cresce.
Existem plantas que são tóxicas para determinadas espécies animais, por exemplo, plantas tóxicas para bovinos e que crescem espontaneamente em pastos. Conheça 6 plantas que são consideradas extremamente venenosas.
Rododentro
Essa planta tem uma bela aparência e fabrica um mel doce e fatal. Existe cerca de 1000 espécies de rododentro sendo que, a mais conhecida no Brasil é a Azálea. Todos os rododendros contêm uma toxina chamada graianotoxina no pólen e no néctar e por isso, o mel produzido a partir dessas plantas é muito venenoso.
O resto da planta também é venenoso, especialmente para os cavalos. O maior jardim silvestre de rododendros do mundo se encontra em Bakersville, na Carolina do Norte, Estados Unidos. Ele fica no parque natural de Roan Mountain.
Hera Venenosa
É uma planta bastante comum nos Estados Unidos e responsável por mais de 15% das reações alérgicas durante a primavera nos EUA. Essa planta também é conhecida por “Carvalho Venenoso”. Ela pode causar bolhas, inchaço da pele e uma erupção cutânea que pode durar até três semanas. Se ingerida, é morte quase certa.
Cereja Selvagem
Quando você pensa em cerejas, provavelmente você não pensa em envenenamento por cianeto. Surpreendentemente, algumas cerejas selvagens como a Prunus avium podem ser bastante tóxicas, mesmo que a fruta pareça comestível. As folhas da planta também produzem grandes quantidades de cianeto. Esse tipo de cereja é nativa do Japão.
Flor-de-são-josé
É um arbusto grande, podendo ter por volta de 3 a 5 m de altura. Suas flores podem ser brancas, róseas ou vermelhas. É uma planta pouco exigente se tratando de temperatura e umidade. Toda a planta é tóxica. Tem como princípios ativos a oleandrina e a neriantina, substâncias extraordinariamente tóxicas. Basta que seja ingerida uma folha para matar um homem de 80 kg. No entanto, muitas vezes a ocorrência de vômitos evita a morte das vítimas. Ela é bastante comum no Brasil.
Ervilha do Rosário
Esta planta pode atingir os 60 cm de altura com folhas globulares que podem atingir os 5 a 10 cm de comprimento. Esta é uma planta considerada venenosa mas, também é usada para tratar de diabetes. Ela contem na sua constituição o ácido ábrico, que ataca o sistema digestivo. Além disso se ela entrar em contato com os olhos, pode causar graves lesões.
Amarílis
Todas as partes da planta contêm substâncias tóxicas, sendo que a maior concentração ocorre na flor e nas sementes. Extratos da planta já foram utilizados como veneno, incluindo para envenenar flechas e outras armas perfurantes. Os sintomas de envenenamento incluem náuseas, vômitos, tonturas e suor excessivo.
Teorias da conspiração mais idiotas da internet
Existem muitas pessoas paranoicas em nosso mundo. Uma tragédia ou um simples acontecimento pode virar alvo de teorias da conspiração. Por sorte, poucas pessoas acabam convencidas de que tudo que acontece ao nosso redor é parte de um plano maligno de manipulação. A Fatos Desconhecidos selecionou 5 das mais idiotas teorias da conspiração que já inventaram. Confira:
O Desafio do Balde de Gelo era um batismo satânico
O Desafio do Balde de Gelo (Ice Bucket Challenge), consiste em jogar um balde de água gelada/com gelo sobre a cabeça de alguém para promover a conscientização sobre a esclerose lateral amiotrófica (ALS) e incentivar as doações para pesquisa.
O desafio ficou famoso em 2014 após várias celebridades e nomes de empresas de tecnologia ajudarem na campanha. A campanha conseguiu arrecadas mais de 100 milhões de dólares para a causa. Por contar com o apoio de diversas celebridades, a campanha foi alvo de paranoicos que afirmaram que o desafio na verdade era um batismo satânico promovido por celebridades que tem pacto com o capiroto.
Barack Obama espalhando o Ebola
Muitos estadunidenses neuróticos estão afirmando que o presidente dos Estados Unidos está pronto para usar o vírus Ebola contra os cidadãos americanos para ter uma desculpa para desarmar a população. Também existem diversas acusações de que o governo dos EUA fabricaram o vírus para testá-lo como uma arma biológica.
Robin Williams foi sacrificado pelos Illuminatis
Williams foi encontrado inconsciente em sua casa, em Paradise Cay, Califórnia, por volta do meio-dia no dia 11 de agosto de 2014. A causa de morte foi asfixia devido a enforcamento. As investigações da polícia norte-americana levaram a concluir que o ator teria cometido suicídio.
Só que algumas pessoas não aceitaram essa versão. Para muitos, Robin foi morto em um ritual de sacrifício Illuminati. Uma das evidências seria o episódio de “Uma família da Pesada” que foi exibido poucos minutos antes do anúncio da morte do ator. No enredo, Williams tenta cometer suicídio.
Os acidentes com os aviões da Malaysia Airlines eram o mesmo
De acordo com uma bizarra teoria da conspiração, os EUA e a Ucrânia precisava aumentar o apoio contra os rebeldes ucranianos. Para isso, eles teriam “desaparecido” com o voo MH370 no oceano índico e o “transformado no voo MH17 que foi abatido no ar. De acordo com os que acreditam nessa teoria, os passageiros do voo abatido no ar pelos ucranianos já estavam mortos.
Adam Sandler é o Nostradamus dos tempos modernos
Nostradamus é um dos mais conhecidos videntes. Seu livro “As Profecias” é composto de versos agrupados em quatro linhas, organizados em blocos de cem; algumas pessoas acreditam que estes versos contém previsões codificadas do futuro.
Tudo começou com um artigo do site ClickHole intitulado “5 Tragédias estranhamente previstas por Adam Sandler”, que citou exemplos como a famosa cena de Happy Gilmore quando Sandler olhou diretamente para a câmera e anunciou futura morte da princesa Diana. Entretanto, se você assistir esse filme, em nenhum momento Sandler faz qualquer coisa parecida com o relatado. Apesar disso, o artigo se tornou viral e a teoria da conspiração ganhou força.
Fonte: http://www.cracked
O Desafio do Balde de Gelo era um batismo satânico
O Desafio do Balde de Gelo (Ice Bucket Challenge), consiste em jogar um balde de água gelada/com gelo sobre a cabeça de alguém para promover a conscientização sobre a esclerose lateral amiotrófica (ALS) e incentivar as doações para pesquisa.
O desafio ficou famoso em 2014 após várias celebridades e nomes de empresas de tecnologia ajudarem na campanha. A campanha conseguiu arrecadas mais de 100 milhões de dólares para a causa. Por contar com o apoio de diversas celebridades, a campanha foi alvo de paranoicos que afirmaram que o desafio na verdade era um batismo satânico promovido por celebridades que tem pacto com o capiroto.
Barack Obama espalhando o Ebola
Muitos estadunidenses neuróticos estão afirmando que o presidente dos Estados Unidos está pronto para usar o vírus Ebola contra os cidadãos americanos para ter uma desculpa para desarmar a população. Também existem diversas acusações de que o governo dos EUA fabricaram o vírus para testá-lo como uma arma biológica.
Robin Williams foi sacrificado pelos Illuminatis
Williams foi encontrado inconsciente em sua casa, em Paradise Cay, Califórnia, por volta do meio-dia no dia 11 de agosto de 2014. A causa de morte foi asfixia devido a enforcamento. As investigações da polícia norte-americana levaram a concluir que o ator teria cometido suicídio.
Só que algumas pessoas não aceitaram essa versão. Para muitos, Robin foi morto em um ritual de sacrifício Illuminati. Uma das evidências seria o episódio de “Uma família da Pesada” que foi exibido poucos minutos antes do anúncio da morte do ator. No enredo, Williams tenta cometer suicídio.
Os acidentes com os aviões da Malaysia Airlines eram o mesmo
De acordo com uma bizarra teoria da conspiração, os EUA e a Ucrânia precisava aumentar o apoio contra os rebeldes ucranianos. Para isso, eles teriam “desaparecido” com o voo MH370 no oceano índico e o “transformado no voo MH17 que foi abatido no ar. De acordo com os que acreditam nessa teoria, os passageiros do voo abatido no ar pelos ucranianos já estavam mortos.
Adam Sandler é o Nostradamus dos tempos modernos
Nostradamus é um dos mais conhecidos videntes. Seu livro “As Profecias” é composto de versos agrupados em quatro linhas, organizados em blocos de cem; algumas pessoas acreditam que estes versos contém previsões codificadas do futuro.
Tudo começou com um artigo do site ClickHole intitulado “5 Tragédias estranhamente previstas por Adam Sandler”, que citou exemplos como a famosa cena de Happy Gilmore quando Sandler olhou diretamente para a câmera e anunciou futura morte da princesa Diana. Entretanto, se você assistir esse filme, em nenhum momento Sandler faz qualquer coisa parecida com o relatado. Apesar disso, o artigo se tornou viral e a teoria da conspiração ganhou força.
Fonte: http://www.cracked
Maiores dores que um ser humano pode sentir
Muitas vezes é difícil para as pessoas dizerem a gravidade e a sensação de uma dor. A escala de dor é uma ferramenta que pode ser usada por um médico ou terapeuta para medir a intensidade da sua dor.Por mais desagradável que seja, a dor serve para um propósito muito importante: ela avisa que algo está errado dentro de você.
Existem vários tipos de dores, assim como as diversas formas de medição. As dores a seguir foram consideradas as piores dores que um ser humano pode sentir. Confira quais são:
Picadas de insetos/animais
O vídeo acima mostra como é dolorosa a picada da Formiga-cabo-verde. Esse jovem colocou, voluntariamente, suas mãos no formigueiro dessa terrível formiga e sofreu com as intensas dores provocadas pelo inseto. A picada da Paraponera clavata é extremamente severa, tendo sido classificada por Justin Schmidt, um renomado entomologista americano, com um “4.0+” em sua tabela de classificação de dor causada por insetos, que vai de 1.0 a 4.0. A dor sentida é descrita como “estar andando sobre carvão em chamas com um prego enferrujado de 3 polegadas fincado no seu calcanhar”.
Ruptura do tendão de Aquiles
Por ser o maior e mais forte tendão encontrado no nosso corpo, pode-se dizer que a dor do rompimento desse tendão é quase insuportável. Os tendões são tecidos fibrosos, compostos primeiramente por colágeno, que conecta o músculo ao osso.
Eles são responsáveis pela transferência de força entre o músculo e o osso gerando o movimento da articulação. Atletas são as vítimas mais comuns do rompimento do tendão de aquiles. Dependendo da gravidade, é necessário procedimento cirúrgico e fisioterapia.
Ataques de animais
Infelizmente, a maioria das pessoas que são atacadas por animais de grande porte como leões, tigres e ursos, não vivem para contar sobre a dor desses ataques. Esses animais enormes e poderosos desferem golpes que dilaceram o corpo humano, isso sem contar as mordidas e arranhões durante o ataque.
Um homem que sobreviveu à um ataque de urso teve um total de vinte e oito feridas, incluindo um olho furado pelas garras do animal, uma das vértebras superiores quebradas em cinco pedaços além de grande parte de sua pele arrancada. Ele descreveu suas lesões como ‘insuportáveis’.
Parto
Até recentemente, a dor do parto era algo que só as mulheres compreendiam verdadeiramente. Agora, alguns bravos homens foram submetidos as contrações do trabalho de parto simuladas com eletrodos colocados nos seus corpos. Embora a maioria dos homens nunca saiba como é a dor do parto, as mulheres a descrevem como se os músculos estivessem sendo torcidos. Seria uma espécie de “cólica menstrual multiplicadas ao infinito” com o adicional de órgãos internos sendo puxados para fora.
Pedra nos rins
A pedra no rim é uma massa cristalina sólida que se forma nos rins a partir de sais minerais presentes na urina. Os cálculos renais são geralmente expelidos do corpo através da corrente urinária, por isso dizem que sua dor é bastante intensa. A maior parte das pedras forma-se e deixa o corpo sem manifestar quaisquer sintomas. No entanto, quando um cálculo atinge uma dimensão considerável, geralmente superior a 3 mm, pode provocar obstrução da uretra.
Dor de cabeça suicida
São dores que acontecem em apenas um lado da cabeça. Elas são extremamente fortes durando de 10 a 120 minutos e podendo ocorrer mais de uma vez por dia. As dores podem ocorrer com uma frequência de 3 a 10 semanas. As dores de cabeça ocorrem com frequência nas primeiras horas de sono.
Queimaduras de segundo grau
As queimaduras de segundo grau são bastante dolorosas e precisam ser limpas com água e sabonete além da aplicação de um curativo. O tratamento também agrava as dores sentidas pelas vítimas pois o local precisa ser bem higienizado para que o curativo não infeccione. As queimaduras de segundo grau envolvem a formação de bolhas e manchas vermelhas e brancas. A dor de queimaduras é muitas vezes tão severa que muitas vezes as vítimas entram em choque ou desmaiam.
Neuralgia do trigêmeo
É a pior dor que existe. Ela acontece no nervo trigêmeo, o que causa episódios de dor intensa nos olhos, lábios, nariz, couro cabeludo, testa e/ou mandíbula. É conhecida como uma das doenças mais dolorosas do mundo. Mesmo um toque de leve ou pequenos movimentos já podem ser suficientes para causar uma crise dolorosa, que apesar de geralmente durar apenas alguns segundos pode desencadear outros processos dolorosos mais prolongados. Depois de uma crise a dor e sensibilidade geralmente diminuem um pouco, porém esse período de remissão tendem a ficar cada vez mais curtos conforme a doença progride
É verdade que o velocímetro trava na velocidade com acidente
Quando ocorre um acidente automotivo, peritos são enviados para verificar ou esclarecer as causas do acidente. Só que existe algo que poucas pessoas sabem: a maneira que é descoberto qual a velocidade de um veículo durante a colisão. Existe o rumor de que o velocímetro “trava” na velocidade em que o veículo bateu. Isso é verdade?
A resposta é não. O velocímetro é ligado à roda dianteira ou à caixa de mudanças através de um cabo. Sua calibragem depende do diâmetro da roda e da relação de engrenagens da caixa de mudanças, para informar com precisão a velocidade. Isso significa que se houver algum problema nas peças que compõe o velocímetro, ele pode “travar”, como acontece nos acidentes.
Os velocímetros sempre marcam uma velocidade a mais
No Brasil, por determinação da legislação de trânsito, os velocímetros de todos os veículos saem da fábrica sempre marcando mais do que a velocidade real do veículo. A chamada “faixa de tolerância” varia de acordo com a fabricante. Por exemplo: em velocidades até 80 km/h o velocímetro de um carro marca entre 3 km/h e 5km/h a mais do que a velocidade real.
Rodas x Velocímetro
Outra coisa que altera ainda mais a diferença entre a velocidade marcada no velocímetro e a velocidade real é quando o proprietário decide trocar seu conjunto de rodas e pneus por outros mais altos que o recomendado pelo fabricante.
O motivo? Com o aumento do diâmetro do conjunto de rodas e pneus, o número de voltas será menor do que o utilizado para o ajuste do velocímetro e, consequentemente, a indicação de velocidade também será menor ou maior, dependendo do tipo de troca efetuada. É por esse motivo que muitos carros são multados por radares de velocidade embora no velocímetro esteja marcando a velocidade permitida para a via. No final das contas, o velocímetro trava na hora do acidente justamente por ter sido danificado.
Teste de Einstein Só 2% da população consegue fazê-lo
Será possível medir a capacidade intelectual de alguém? Alguns cientistas acreditaram que sim e foi aí que surgiu o QI. A sigla QI significa Quociente de Inteligência e é uma medida obtida por meio de testes que buscam avaliar o nível de inteligência de uma pessoa, em comparação com outras pessoas da mesma idade. O valor do QI médio é considerado como sendo 100, ou seja, quem tem um nível de inteligência “normal” geralmente consegue obter este valor ou um valor aproximado no teste. Os primeiros testes de inteligência que se têm notícia foram realizados na China, no século V. Mas eles só começaram a ser usados cientificamente quinze séculos depois. O termo QI foi criado na Alemanha pelo psicólogo Willian Stern, em 1912, para medir a capacidade de crianças utilizando alguns métodos já criados por outros dois cientistas: Alfred Binet e Théodore Simon. Somente anos depois a técnica de avaliação foi adaptada para adultos. Hoje em dia, o teste de QI mais popular é o Standard Progressive Matrices (SPM), que em português significa Matrizes Progressivas de Raven. O SPM foi criado por John Carlyle Raven, nele são apresentadas algumas sequências de figuras que possuem um padrão lógico e a pessoa que realiza o teste precisa completá-las, de acordo com as alternativas. Apesar do QI ter um valor médio estabelecido como 100, os cientistas consideram que existe um desvio padrão igual a 15. Isso significa que a inteligência média é medida com resultados de 85 a 115 pontos. A média do QI do brasileiros é igual a aproximadamente 87. De acordo com o teste, quem está abaixo dessa média pode ter algum tipo de problema de cognição, mas se o resultado estiver acima de 130, é um sinal de que a pessoa é superdotada. Apenas 2% da população mundial consegue alcançar valores tão altos no teste. Um dos teste de QI mais famosos é o Teste de Einstein. Dizem que Einstein criou esse teste e só 2% da população mundial pode resolve-lo. Existem 4 regras para que você possa resolver esse teste:
quinta-feira, 4 de junho de 2015
A Herdeira Capítulo 2
DEPOIS DE TRABALHAR POR ALGUMAS HORAS no relatório orçamentário, decidi fazer uma pausa, ir para o meu quarto e pedir uma massagem nas mãos para Neena. Eu amava esses pequenos luxos do meu dia. Vestidos feitos sob medida, sobremesas exóticas preparadas só porque era quinta-feira, um suprimento interminável de coisas bonitas: eu tinha privilégios, e eles com certeza eram a minha parte favorita do cargo.
Meu quarto tinha vista para os jardins. Conforme o sol mudava de posição, a luz ganhava um tom alaranjado acolhedor e iluminava as altas muralhas. Me concentrei no calor e nos dedos precisos de Neena.
— Enfim, ele fez uma cara esquisita. Era como se tivesse saído fora do ar por um minuto.
Eu estava tentando explicar a atitude inesperada de meu pai pela manhã, mas era difícil descrever. Eu nem sabia se ele tinha encontrado minha mãe ou não, pois não voltou mais para o escritório.
— Acha que ele está doente? Ele parece bem cansado esses dias — Neena falou, enquanto suas mãos faziam mágica com as minhas.
— Parece? — perguntei. Achava que não era bem cansaço o que ele tinha. — Provavelmente deve estar muito estressado. E como não estaria, com tantas decisões para tomar?
— E um dia você estará nessa posição — ela comentou. Seu tom de voz evidenciava uma autêntica preocupação misturada com uma provocação brincalhona.
— O que significa que você terá de me fazer o dobro de massagens.
— Não sei — ela disse. — Talvez tente algo novo daqui a alguns anos.
Fechei a cara.
— O que mais você faria? Não há opções muito melhores que um trabalho no palácio.
Alguém bateu à porta, e Neena não teve chance de responder à pergunta.
Levantei, vesti o blazer novamente para ficar mais apresentável e fiz um sinal com a cabeça para que Neena deixasse a visita entrar.
Sorridente, minha mãe apareceu à porta. Meu pai vinha logo atrás, satisfeito. Era sempre assim: em eventos de Estado ou jantares importantes, minha mãe ficava ao lado ou logo atrás de meu pai; porém, quando eram apenas marido e mulher – e não rei e rainha – ele a seguia por toda parte.
— Oi, mãe — cumprimentei, me aproximando para abraçá-la.
Minha mãe colocou uma mecha do meu cabelo atrás da orelha e sorriu.
— Gostei do visual.
Dei um passo para trás, orgulhosa, e corri as mãos pelo vestido.
— As pulseiras dão um bom destaque, não é?
Ela riu.
— Excelente atenção aos detalhes.
De vez em quando, minha mãe me deixava escolher suas joias e sapatos, mas era raro. Ela não achava isso tão divertido quanto eu, e também não usava muitos acessórios para melhorar a aparência. Na verdade, não precisava mesmo. Eu gostava de seu estilo clássico.
Mamãe se voltou para Neena e tocou-a no ombro.
— Você pode sair — disse em voz baixa.
Neena fez uma reverência no ato e nos deixou a sós.
— Algo errado? — perguntei.
— Não, meu amor. Só queremos conversar em particular — respondeu meu pai, gesticulando para que nos sentássemos à mesa. — Há uma oportunidade que gostaríamos de discutir com você.
— Oportunidade? Vamos viajar? — Eu adorava viajar. — Por favor, digam que finalmente vamos para a praia. Será que podemos ir só nós seis?
— Não exatamente. Não poderíamos ir a lugar nenhum com hóspedes em casa — minha mãe explicou.
— Ah! Companhia! Quem vem?
Os dois trocaram olhares antes de minha mãe continuar:
— Você sabe que a atual situação é preocupante. O povo está agitado e infeliz, e não fazemos ideia de como aliviar a tensão.
— Eu sei... — suspirei.
— Estamos em busca de um jeito de levantar o moral das pessoas — meu pai acrescentou.
Fiquei animada. Levantar o moral costumava envolver celebrações, e eu nunca dispensava uma festa.
— O que vocês têm em mente? — quis saber, já imaginando um vestido novo. Mas logo afastei a ideia; não era nisso que eu devia me concentrar naquele momento.
— Bem — meu pai começou — o público reage melhor a notícias positivas relacionadas à nossa família. Quando sua mãe e eu nos casamos, o país passou por uma de suas melhores fases. E você lembra como as pessoas festejaram nas ruas quando souberam que Osten ia chegar?
Abri um sorriso. Eu tinha oito anos quando Osten nasceu, e nunca esqueci o entusiasmo de todos com o anúncio. Do meu quarto, dava para ouvir a música nas ruas praticamente até o amanhecer.
— Foi maravilhoso.
— Foi mesmo. E agora as pessoas olham para você. Não vai demorar para se tornar a rainha.
Meu pai fez uma pausa.
— Pensamos — continuou — que talvez você aceitasse fazer alguma coisa pública, alguma coisa empolgante para o povo e, talvez, muito benéfica para você também.
Apertei os olhos, concentrada, sem entender direito aonde aquela conversa ia chegar.
— Estou ouvindo.
Minha mãe limpou a garganta.
— Você sabe que, no passado, princesas se casavam com príncipes de outros países para fortalecer relações internacionais.
— Você usou o verbo no passado, né?
Ela riu, mas não achei graça.
— Sim.
— Que bom — eu disse. — Porque o príncipe Nathaniel parece um zumbi, o príncipe Hector dança como um zumbi e, se o príncipe da Federação Germânica não aprender o que é higiene pessoal até a festa de Natal, nem deveríamos convidá-lo.
Minha mãe esfregou a cabeça, frustrada.
— Eadlyn, você é sempre tão exigente.
Meu pai deu de ombros.
— Talvez isso não seja ruim — comentou, para ganhar um daqueles olhares de mamãe.
Fechei a cara.
— Mas do que diabos vocês estão falando?
— Você sabe como sua mãe e eu nos conhecemos — continuou meu pai.
— Todo mundo sabe. Vocês dois viveram praticamente um conto de fadas — repliquei com cara de tédio.
Ao ouvir isso, os dois suavizaram a expressão e abriram um sorriso. Eles pareciam se inclinar levemente um para o outro, e meu pai mordeu os lábios ao olhar para minha mãe.
— Com licença. A primogênita está no quarto também. Vocês se importam?
Minha mãe corou, e meu pai limpou a garganta antes de continuar:
— A Seleção foi um sucesso para nós. E, embora meus pais tivessem seus problemas, o processo funcionou para eles também. Então… estávamos pensando…
Ele hesitou e nossos olhares se cruzaram.
Demorou para cair a ficha. Eu sabia o que era a Seleção, mas essa opção jamais havia sido proposta para qualquer um de nós, muito menos para mim.
— Não.
Minha mãe ergueu as mãos e disse:
— Apenas escute…
— Uma Seleção? — explodi. — Isso é loucura!
— Eadlyn, você está sendo irracional — argumentou ela.
Dirigi um olhar fulminante a ela.
— Você prometeu. Prometeu que jamais me obrigaria a casar com alguém em troca de alianças políticas. Como uma Seleção pode ser melhor que isso?
— Ouça o que temos a dizer… — ela insistiu.
— Não! — berrei. — Não vou aceitar.
— Calma, baixinha.
— Não fale comigo assim. Eu não sou criança!
Minha mãe suspirou.
— Mas age como se fosse.
— Vocês estão arruinando minha vida!
Corri os dedos pelo cabelo e respirei fundo várias vezes, na esperança de que isso me ajudasse a pensar. Aquilo não podia acontecer. Não comigo.
— É uma grande oportunidade — meu pai insistiu.
— Você está tentando me acorrentar a um estranho!
— Eu disse que ela seria teimosa — minha mãe cochichou para meu pai.
— Me pergunto a quem ela puxou — ele disparou com um sorriso.
— Não falem de mim como se eu não estivesse no quarto!
— Desculpe — meu pai disse. — Só queremos que você pense a respeito.
— E Ahren? Não pode ser ele?
— Ahren não é o futuro rei. Além disso, ele já tem Camille.
A princesa Camille era a herdeira do trono francês. Alguns anos antes, tinha conseguido, por força das piscadelas de seus belos cílios, conquistar o coração de meu irmão.
— Então casem os dois! — supliquei.
— Camille será rainha quando chegar a hora e, como você, terá de pedir seu companheiro em casamento. Se a escolha fosse de Ahren, poderíamos pensar no caso, mas não é.
— E Kaden? Vocês não podem fazer a Seleção com ele?
Minha mãe deu uma risada irônica.
— Ele tem catorze anos! Não temos todo esse tempo. O povo precisa de alguma coisa que os empolgue agora — disse, e olhou bem nos meus olhos antes de prosseguir. — Além disso, para ser sincera, já não está na hora de você procurar alguém para governar ao seu lado?
Meu pai concordou.
— É verdade. Não é uma função para suportar sozinha.
— Mas eu não quero casar — supliquei. — Por favor, não me obriguem a isso. Tenho só dezoito anos.
— A mesma idade que eu tinha quando casei com seu pai — minha mãe afirmou.
— Não estou preparada — insisti. — Não quero marido. Não façam isso comigo, por favor.
Minha mãe estendeu o braço sobre a mesa e segurou a minha.
— Ninguém vai fazer nada com você. Você é que fará algo pelo seu povo. Você dará um presente às pessoas daqui.
— Quer dizer, fingir um sorriso quando tiver vontade de chorar?
— Isso sempre foi parte do nosso trabalho — ela respondeu depois de franzir levemente a testa.
Apenas a encarei, à espera de uma resposta melhor.
— Eadlyn, por que você não tira um tempo para pensar melhor? — meu pai propôs calmamente. — Sei que estamos lhe pedindo muito.
— Isso quer dizer que tenho opção?
Papai respirou fundo, pensativo, antes de falar:
— Bem, meu amor, na verdade você terá trinta e cinco opções.
Levantei da cadeira com um salto e apontei para a porta.
— Saiam daqui! — exigi. — SAIAM DAQU I!
Sem mais uma palavra, os dois deixaram o quarto.
Por acaso não sabiam quem eu era e para que haviam me treinado? Eu era Eadlyn Schreave. Nenhuma pessoa era tão poderosa quanto eu.
Se eles achavam que eu ia me render sem lutar, estavam tristemente enganados.
Meu quarto tinha vista para os jardins. Conforme o sol mudava de posição, a luz ganhava um tom alaranjado acolhedor e iluminava as altas muralhas. Me concentrei no calor e nos dedos precisos de Neena.
— Enfim, ele fez uma cara esquisita. Era como se tivesse saído fora do ar por um minuto.
Eu estava tentando explicar a atitude inesperada de meu pai pela manhã, mas era difícil descrever. Eu nem sabia se ele tinha encontrado minha mãe ou não, pois não voltou mais para o escritório.
— Acha que ele está doente? Ele parece bem cansado esses dias — Neena falou, enquanto suas mãos faziam mágica com as minhas.
— Parece? — perguntei. Achava que não era bem cansaço o que ele tinha. — Provavelmente deve estar muito estressado. E como não estaria, com tantas decisões para tomar?
— E um dia você estará nessa posição — ela comentou. Seu tom de voz evidenciava uma autêntica preocupação misturada com uma provocação brincalhona.
— O que significa que você terá de me fazer o dobro de massagens.
— Não sei — ela disse. — Talvez tente algo novo daqui a alguns anos.
Fechei a cara.
— O que mais você faria? Não há opções muito melhores que um trabalho no palácio.
Alguém bateu à porta, e Neena não teve chance de responder à pergunta.
Levantei, vesti o blazer novamente para ficar mais apresentável e fiz um sinal com a cabeça para que Neena deixasse a visita entrar.
Sorridente, minha mãe apareceu à porta. Meu pai vinha logo atrás, satisfeito. Era sempre assim: em eventos de Estado ou jantares importantes, minha mãe ficava ao lado ou logo atrás de meu pai; porém, quando eram apenas marido e mulher – e não rei e rainha – ele a seguia por toda parte.
— Oi, mãe — cumprimentei, me aproximando para abraçá-la.
Minha mãe colocou uma mecha do meu cabelo atrás da orelha e sorriu.
— Gostei do visual.
Dei um passo para trás, orgulhosa, e corri as mãos pelo vestido.
— As pulseiras dão um bom destaque, não é?
Ela riu.
— Excelente atenção aos detalhes.
De vez em quando, minha mãe me deixava escolher suas joias e sapatos, mas era raro. Ela não achava isso tão divertido quanto eu, e também não usava muitos acessórios para melhorar a aparência. Na verdade, não precisava mesmo. Eu gostava de seu estilo clássico.
Mamãe se voltou para Neena e tocou-a no ombro.
— Você pode sair — disse em voz baixa.
Neena fez uma reverência no ato e nos deixou a sós.
— Algo errado? — perguntei.
— Não, meu amor. Só queremos conversar em particular — respondeu meu pai, gesticulando para que nos sentássemos à mesa. — Há uma oportunidade que gostaríamos de discutir com você.
— Oportunidade? Vamos viajar? — Eu adorava viajar. — Por favor, digam que finalmente vamos para a praia. Será que podemos ir só nós seis?
— Não exatamente. Não poderíamos ir a lugar nenhum com hóspedes em casa — minha mãe explicou.
— Ah! Companhia! Quem vem?
Os dois trocaram olhares antes de minha mãe continuar:
— Você sabe que a atual situação é preocupante. O povo está agitado e infeliz, e não fazemos ideia de como aliviar a tensão.
— Eu sei... — suspirei.
— Estamos em busca de um jeito de levantar o moral das pessoas — meu pai acrescentou.
Fiquei animada. Levantar o moral costumava envolver celebrações, e eu nunca dispensava uma festa.
— O que vocês têm em mente? — quis saber, já imaginando um vestido novo. Mas logo afastei a ideia; não era nisso que eu devia me concentrar naquele momento.
— Bem — meu pai começou — o público reage melhor a notícias positivas relacionadas à nossa família. Quando sua mãe e eu nos casamos, o país passou por uma de suas melhores fases. E você lembra como as pessoas festejaram nas ruas quando souberam que Osten ia chegar?
Abri um sorriso. Eu tinha oito anos quando Osten nasceu, e nunca esqueci o entusiasmo de todos com o anúncio. Do meu quarto, dava para ouvir a música nas ruas praticamente até o amanhecer.
— Foi maravilhoso.
— Foi mesmo. E agora as pessoas olham para você. Não vai demorar para se tornar a rainha.
Meu pai fez uma pausa.
— Pensamos — continuou — que talvez você aceitasse fazer alguma coisa pública, alguma coisa empolgante para o povo e, talvez, muito benéfica para você também.
Apertei os olhos, concentrada, sem entender direito aonde aquela conversa ia chegar.
— Estou ouvindo.
Minha mãe limpou a garganta.
— Você sabe que, no passado, princesas se casavam com príncipes de outros países para fortalecer relações internacionais.
— Você usou o verbo no passado, né?
Ela riu, mas não achei graça.
— Sim.
— Que bom — eu disse. — Porque o príncipe Nathaniel parece um zumbi, o príncipe Hector dança como um zumbi e, se o príncipe da Federação Germânica não aprender o que é higiene pessoal até a festa de Natal, nem deveríamos convidá-lo.
Minha mãe esfregou a cabeça, frustrada.
— Eadlyn, você é sempre tão exigente.
Meu pai deu de ombros.
— Talvez isso não seja ruim — comentou, para ganhar um daqueles olhares de mamãe.
Fechei a cara.
— Mas do que diabos vocês estão falando?
— Você sabe como sua mãe e eu nos conhecemos — continuou meu pai.
— Todo mundo sabe. Vocês dois viveram praticamente um conto de fadas — repliquei com cara de tédio.
Ao ouvir isso, os dois suavizaram a expressão e abriram um sorriso. Eles pareciam se inclinar levemente um para o outro, e meu pai mordeu os lábios ao olhar para minha mãe.
— Com licença. A primogênita está no quarto também. Vocês se importam?
Minha mãe corou, e meu pai limpou a garganta antes de continuar:
— A Seleção foi um sucesso para nós. E, embora meus pais tivessem seus problemas, o processo funcionou para eles também. Então… estávamos pensando…
Ele hesitou e nossos olhares se cruzaram.
Demorou para cair a ficha. Eu sabia o que era a Seleção, mas essa opção jamais havia sido proposta para qualquer um de nós, muito menos para mim.
— Não.
Minha mãe ergueu as mãos e disse:
— Apenas escute…
— Uma Seleção? — explodi. — Isso é loucura!
— Eadlyn, você está sendo irracional — argumentou ela.
Dirigi um olhar fulminante a ela.
— Você prometeu. Prometeu que jamais me obrigaria a casar com alguém em troca de alianças políticas. Como uma Seleção pode ser melhor que isso?
— Ouça o que temos a dizer… — ela insistiu.
— Não! — berrei. — Não vou aceitar.
— Calma, baixinha.
— Não fale comigo assim. Eu não sou criança!
Minha mãe suspirou.
— Mas age como se fosse.
— Vocês estão arruinando minha vida!
Corri os dedos pelo cabelo e respirei fundo várias vezes, na esperança de que isso me ajudasse a pensar. Aquilo não podia acontecer. Não comigo.
— É uma grande oportunidade — meu pai insistiu.
— Você está tentando me acorrentar a um estranho!
— Eu disse que ela seria teimosa — minha mãe cochichou para meu pai.
— Me pergunto a quem ela puxou — ele disparou com um sorriso.
— Não falem de mim como se eu não estivesse no quarto!
— Desculpe — meu pai disse. — Só queremos que você pense a respeito.
— E Ahren? Não pode ser ele?
— Ahren não é o futuro rei. Além disso, ele já tem Camille.
A princesa Camille era a herdeira do trono francês. Alguns anos antes, tinha conseguido, por força das piscadelas de seus belos cílios, conquistar o coração de meu irmão.
— Então casem os dois! — supliquei.
— Camille será rainha quando chegar a hora e, como você, terá de pedir seu companheiro em casamento. Se a escolha fosse de Ahren, poderíamos pensar no caso, mas não é.
— E Kaden? Vocês não podem fazer a Seleção com ele?
Minha mãe deu uma risada irônica.
— Ele tem catorze anos! Não temos todo esse tempo. O povo precisa de alguma coisa que os empolgue agora — disse, e olhou bem nos meus olhos antes de prosseguir. — Além disso, para ser sincera, já não está na hora de você procurar alguém para governar ao seu lado?
Meu pai concordou.
— É verdade. Não é uma função para suportar sozinha.
— Mas eu não quero casar — supliquei. — Por favor, não me obriguem a isso. Tenho só dezoito anos.
— A mesma idade que eu tinha quando casei com seu pai — minha mãe afirmou.
— Não estou preparada — insisti. — Não quero marido. Não façam isso comigo, por favor.
Minha mãe estendeu o braço sobre a mesa e segurou a minha.
— Ninguém vai fazer nada com você. Você é que fará algo pelo seu povo. Você dará um presente às pessoas daqui.
— Quer dizer, fingir um sorriso quando tiver vontade de chorar?
— Isso sempre foi parte do nosso trabalho — ela respondeu depois de franzir levemente a testa.
Apenas a encarei, à espera de uma resposta melhor.
— Eadlyn, por que você não tira um tempo para pensar melhor? — meu pai propôs calmamente. — Sei que estamos lhe pedindo muito.
— Isso quer dizer que tenho opção?
Papai respirou fundo, pensativo, antes de falar:
— Bem, meu amor, na verdade você terá trinta e cinco opções.
Levantei da cadeira com um salto e apontei para a porta.
— Saiam daqui! — exigi. — SAIAM DAQU I!
Sem mais uma palavra, os dois deixaram o quarto.
Por acaso não sabiam quem eu era e para que haviam me treinado? Eu era Eadlyn Schreave. Nenhuma pessoa era tão poderosa quanto eu.
Se eles achavam que eu ia me render sem lutar, estavam tristemente enganados.
A Herdeira Capítulo 1
NUNCA CONSEGUI PRENDER A RESPIRAÇÃO por sete minutos. Nem sequer por um. Uma vez tentei correr um quilômetro e meio em sete minutos depois de descobrir que alguns atletas faziam isso em quatro, mas fracassei espetacularmente quando pontadas na lateral do abdome me deixaram exausta no meio do percurso.
Contudo, há uma coisa que consegui fazer em sete minutos que a maioria das pessoas consideraria bem impressionante: me tornar rainha.
Por ínfimos sete minutos cheguei ao mundo antes do meu irmão, Ahren, e o trono que deveria ser dele passou a ser meu. Se eu tivesse nascido uma geração antes, esse detalhe não teria feito diferença. Ahren era homem; Ahren seria o herdeiro.
Ora, minha mãe e meu pai não suportariam ver sua primogênita perder o título por causa de um inoportuno, ainda que agradável, par de peitos. Então eles mudaram a lei, e o povo se alegrou, e fui preparada dia após dia para me tornar a próxima governante de Illéa.
O que eles não entendiam era que aquelas tentativas de tornar minha vida justa pareciam bem injustas para mim.
Eu tentava não reclamar. Afinal, tinha consciência de que era muito sortuda. Mas havia dias, às vezes meses, em que eu sentia um enorme peso nas costas. Peso demais para qualquer pessoa suportar sozinha, na verdade.
Folheei o jornal e vi que outra rebelião havia ocorrido, dessa vez em Zuni. Vinte anos atrás, o primeiro ato de meu pai como rei foi dissolver as castas, e o velho sistema se desfez aos poucos, ao longo da minha vida. Eu ainda achava totalmente bizarro que no passado as pessoas vivessem marcadas por esses rótulos restritivos e arbitrários. Minha mãe era Cinco, meu pai, Um. Não fazia sentido, até porque não havia nenhum sinal externo dessas divisões. Como eu ia saber se estava ao lado de um Seis ou de um Três? Aliás, por que isso importava?
Logo que o fim das castas foi decretado, houve comemorações por todo o país. Meu pai esperava que as mudanças já estivessem bem consolidadas depois de uma geração. Ou seja: a essa altura, as coisas deveriam se acertar de vez.
Não era o que estava acontecendo, e essa nova rebelião era a mais recente de uma série de revoltas.
— Café, Alteza? — perguntou Neena ao deixar a bebida sobre a minha mesa.
— Obrigada. Pode levar os pratos.
Corri os olhos pelo artigo. Dessa vez, incendiaram um restaurante porque o proprietário não queria promover um garçom a chef de cozinha. O garçom alegava que a promoção havia sido prometida mas nunca efetivada, e tinha certeza de que era por causa do passado de sua família.
Vendo os restos carbonizados do prédio, eu sinceramente não sabia de que lado ficar. O proprietário tinha o direito de promover ou demitir quem quisesse, e o garçom tinha o direito de não ser marcado com um rótulo que, teoricamente, já não existia.
Deixei o jornal de lado e peguei minha bebida. Meu pai ia ficar irritado. Eu tinha certeza de que ele já devia ter pensado e repensado mil estratégias para tentar amenizar a situação. Mas, mesmo que conseguíssemos resolver alguns problemas, éramos incapazes de evitar cada um dos casos de discriminação pós-castas. Eram numerosos, muito frequentes e difíceis de monitorar.
Pus o café na mesa e fui em direção ao closet. Já estava na hora de começar o dia.
— Neena? — chamei. — Você sabe onde está o vestido cor de ameixa? Aquele com a faixa?
Ela apertou os olhos, concentrada, e veio ajudar.
Neena era relativamente nova no palácio. Começara a trabalhar comigo seis meses antes, quando a criada anterior ficou duas semanas de cama. Neena era tão atenta às minhas necessidades e tão boa companhia que a mantive. Também gostava muito de seu olho para moda.
Neena arregalou os olhos diante daquele espaço imenso.
— Talvez devêssemos reorganizar isso aqui.
— Pode reorganizar, se tiver tempo. Mas não é um projeto que me interessa.
— Não quando posso procurar as roupas para a senhorita, não é? — ela provocou.
— Exatamente!
Ela levou na brincadeira e, rindo, começou a vasculhar entre vestidos e calças.
— Gostei do seu cabelo hoje — comentei.
— Obrigada.
Todas as criadas usavam touca, mas mesmo assim Neena era muito criativa com seus penteados. De vez em quando, cachos grossos e escuros emolduravam seu rosto; outras vezes, enrolava as mechas num coque. Naquele dia, tranças largas rodeavam sua cabeça enquanto o resto do cabelo estava coberto. Eu gostava muito de ver como ela inventava maneiras diferentes de usar o uniforme, personalizando-o todos os dias.
— Ah! Está aqui atrás! — exclamou Neena, puxando o vestido longuete e estirando-o sobre a pele escura de seu braço.
— Perfeito! E você sabe onde está meu blazer cinza? Aquele de mangas três quartos?
Ela me olhou impassível.
— Com certeza vou reorganizar isso aqui.
— Você procura, eu me visto — falei, rindo.
Pus a roupa e penteei o cabelo, me preparando para mais um dia como o futuro rosto da monarquia. A combinação era feminina o bastante para conferir um ar de suavidade, mas também forte o bastante para que eu fosse levada a sério. Era um bom estilo a seguir, e eu o seguia diariamente.
Olhei para o espelho e disse para meu reflexo:
— Você é Eadlyn Schreave. Será a próxima pessoa a governar este país e a primeira garota a fazer isso sozinha. Nenhuma pessoa — prossegui — é tão poderosa quanto você.
Meu pai já estava no escritório com a testa franzida enquanto lia as notícias. Exceto pelos olhos, eu não era muito parecida com ele. Aliás, nem com a minha mãe.
Com o cabelo escuro, o rosto oval e a pele com um leve bronzeado que durava o ano todo, eu parecia mais com a minha avó do que com qualquer outra pessoa. No corredor do quarto andar havia uma pintura dela no dia de sua coroação. Eu costumava analisá-la quando era mais nova para tentar adivinhar como seria quando crescesse. A idade dela no retrato era próxima da minha agora e, embora não fôssemos idênticas, às vezes eu tinha a sensação de ser seu reflexo.
Cruzei a sala e beijei meu pai na bochecha.
— Bom dia.
— Bom dia. Você viu os jornais? — ele perguntou.
— Sim. Pelo menos ninguém morreu desta vez.
— Graças aos céus.
As piores revoltas eram as que resultavam em mortes ou desaparecimentos. Era terrível descobrir que rapazes foram espancados só porque se mudaram com a família para um bairro melhor, ou que mulheres foram atacadas por tentar conseguir um emprego que, no passado, era proibido para elas.
Às vezes, o motivo e as pessoas por trás desses crimes eram descobertos rapidamente, mas quase sempre havia muitas trocas de acusação e nenhuma resolução definitiva. Eu ficava exausta só de ouvir e sabia que era ainda pior para meu pai.
— Não entendo — ele disse ao tirar os óculos de leitura e esfregar os olhos. — Eles não queriam mais as castas. Nós fomos com calma, eliminamos as divisões devagar para todos conseguirem se adaptar. E agora eles queimam prédios.
— Há algum jeito de regulamentar isso? Podemos criar uma comissão para supervisionar as reclamações.
Voltei a observar a foto no jornal. No canto da imagem, o jovem filho do dono do restaurante chorava a perda de tudo. Sinceramente, eu sabia que as reclamações chegariam tão rápido que ninguém seria capaz de atendê-las, mas também sabia que meu pai não suportaria ficar de braços cruzados.
— É isso que você faria? — ele perguntou, olhando para mim.
— Não — respondi com um sorriso. — Eu perguntaria ao meu pai o que ele faria.
Ele suspirou.
— Nem sempre você terá essa opção, Eadlyn. Você precisa ser forte, decidida. Como você resolveria este incidente em particular?
Pensei um pouco antes de responder.
— Não acho que seja possível resolver essa situação. Não há meio de provar que foram as velhas castas que impediram a promoção do garçom. A única coisa que podemos fazer é abrir uma investigação para descobrir quem iniciou o incêndio. Uma família perdeu seu sustento hoje, e alguém deve ser responsabilizado. Não é com incêndios que se faz justiça.
Ele balançou a cabeça e pousou os olhos no jornal novamente.
— Acho que você está certa. Gostaria de poder ajudá-los. Mas, acima de tudo, precisamos pensar em como evitar que aconteça novamente. A situação já saiu do controle, Eadlyn, e isso é assustador.
Meu pai atirou o jornal no lixo e levantou, caminhando até a janela. Por sua postura, dava para perceber que estava tenso. Às vezes, sua função lhe trazia muita alegria, como quando visitava escolas cujas condições trabalhara sem descanso para melhorar ou quando via o florescimento de comunidades naquele tempo livre de guerras que havia inaugurado. Mas essas ocasiões se tornavam cada vez mais raras e escassas. Ele passava a maioria dos dias angustiado com a situação do país, fingindo sorrisos para os jornalistas, na esperança de que sua postura calma contagiasse a todos.
Minha mãe o ajudava a carregar o fardo, mas no fim das contas o destino do país recaía única e exclusivamente nas suas costas. Um dia, estaria nas minhas.
Consciente de que se tratava de uma questão totalmente fútil, eu me preocupava com a possibilidade de ficar grisalha antes da hora.
— Faça uma anotação para mim, Eadlyn. Lembre-me de escrever ao governador de Zuni, Harpen. Ah, e escreva que a carta é para Joshua Harpen, não para o pai dele. Sempre esqueço que foi ele quem concorreu nas últimas eleições.
Anotei as instruções com minha elegante letra cursiva, pensando em como meu pai ficaria satisfeito ao vê-la mais tarde. Ele costumava pegar muito no meu pé por causa da minha caligrafia.
Sorrindo comigo mesma, me voltei para meu pai, mas logo desanimei ao vê-lo coçar a cabeça, tentando desesperadamente encontrar uma solução para aqueles problemas.
— Pai?
Ele se virou para mim e, por instinto, endireitou os ombros, como se precisasse assumir uma postura forte mesmo diante de mim.
— Por que você acha que isso está acontecendo? Não foi sempre assim.
Ele arqueou as sobrancelhas e começou a responder:
— Com certeza não — disse, quase para si mesmo. — No começo, todos pareciam contentes. Cada vez que removíamos uma casta, as pessoas festejavam. Apenas nos últimos anos, depois que todos os rótulos foram oficialmente apagados, as coisas saíram do controle.
Ele voltou a olhar pela janela antes de prosseguir:
— Só consigo pensar em uma coisa: quem cresceu com as castas tem consciência de que o que temos agora é melhor. Em comparação, é mais fácil casar ou trabalhar. A renda de uma família não provém de apenas uma profissão. Há mais opções quando se trata de educação. Mas aqueles que estão crescendo sem as castas e ainda enfrentam obstáculos… Acho que não sabem o que mais podem fazer.
Meu pai então olhou para mim e deu de ombros.
— Preciso de um tempo — murmurou. — Preciso dar um jeito de pausar os acontecimentos, resolver essa situação e então dar sequência ao governo.
Notei um sulco profundo em sua testa.
— Pai, não acho que isso seja possível.
Ele achou graça.
— Já fizemos isso antes. Eu lembro…
O foco de seu olhar mudou. Ele me observou por um momento. Parecia me fazer uma pergunta sem palavras.
— Pai?
— Sim?
— Você está bem?
Ele piscou algumas vezes antes de falar:
— Sim, querida, muito bem. Por que você não vai trabalhar naqueles cortes orçamentários? Podemos repassar suas ideias hoje à tarde. Preciso conversar com sua mãe.
— Claro.
Talento para matemática não era algo natural para mim. Por isso, eu levava o dobro do tempo para fazer cortes no orçamento e planejamentos financeiros. Mas também recusava veementemente que um dos conselheiros de meu pai ficasse atrás de mim com uma calculadora, tentando consertar minha bagunça. Ainda que precisasse passar a noite em claro, sempre garantia que meu trabalho estivesse correto.
Claro, Ahren era naturalmente bom em matemática, mas ninguém nunca o obrigava a aturar reuniões de orçamento, rezoneamento ou serviços de saúde. Ele sempre escapava ileso por causa daqueles malditos sete minutos.
Meu pai me deu um tapinha no ombro antes de sair do escritório às pressas. Levei mais tempo que o normal para me concentrar nos números. Não conseguia parar de pensar em sua expressão e estava certa de que tinha alguma coisa a ver comigo.
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